Imbuído do espírito progressista trazido da “Terra de Vera Cruz”, para onde emigrara na adolescência, Miguel Dantas estreia a sua longa actividade de Presidente da Câmara de Paredes de Coura (1882-1895) com a apresentação do projecto de construção do edifício dos Novos Paços do Concelho, na sessão camarária de sete de Janeiro de 1882.
Ícone de um intenso conjunto de melhoramentos locais concretizados a um ritmo sem precedentes, viria a ser inaugurado em seis de Janeiro de 1884. A Casa da Câmara, projectada por J. P. Oliveira Martins, foi erigida num local sobranceiro da vila. Conforme ressalta Narciso Alves da Cunha, na monografia “No Alto Minho – Paredes de Coura”, “a sua situação airosa e desafogada, no meio de um largo, dá-lhe ares de soberania entre os outros prédios que o cercam. Parece estar ali para cumprimentar, em nome da terra, os forasteiros que a visitam”.
Na publicação “O Minho Pittoresco”, José Augusto Vieira faz referência ao “moderno edifício dos paços do concelho, tribunal e mais repartições públicas”, que provocou uma deslocação do poder, simbolizado pelo pelourinho, da antiga “Praça Pública”.
Reconhecido, o povo quis prestar, em 1932, uma homenagem a um dos seus beneméritos mais saudosos, o Conselheiro Miguel Dantas, mediante a inauguração de um monumento evocativo da sua acção política em favor do concelho.
Pelo facto de albergar os vários serviços administrativos, o largo -, cuja toponímia foi aprovada em reunião de Câmara de 15 de Abril de 1899, com o objectivo de homenagear o Visconde de Mozelos -, e artérias fronteiras ao imóvel tornaram-se pontos fulcrais da convivialidade ao longo de sucessivas gerações courenses. Porém, o infortúnio haveria de se manifestar: à meia-noite do dia 19 para 20 de Maio de 1981, um violento incêndio deflagrou no 1.º andar do edifício dos Paços do Concelho, onde estava situado o Tribunal, tendo provocado a destruição quase completa desse acervo, bem como a perda irremediável de outros documentos dos serviços aí instalados.
Comandados por Romeu João de Carvalho, os Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura combateram o sinistro, noite fora, com a colaboração de outras corporações, provenientes de localidades vizinhas, a que se juntaram muitos funcionários públicos e simples cidadãos. A imagem das labaredas, a azáfama das gentes e o crepitar da madeira ainda hoje permanecem na memória dos munícipes. O edifício da Junta de Freguesia acolheu provisoriamente a Câmara Municipal até à inauguração dos remodelados Paços do Concelho, e da Casa da Cultura, em 21 de Setembro de 1985, cerimónia presidida, com pompa e circunstância, pelo então Ministro da Cultura, António Coimbra Martins.
Quando completa 125 anos, a Casa da Câmara fita os olhos no futuro, encarando os novos desafios que se colocam a quem está ao serviço da população.
Organização e textos: Arquivo Municipal de Paredes de Coura